Operação revela suposto esquema milionário e coloca Câmara de Catanduva no centro de investigação

Operação revela suposto esquema milionário e coloca Câmara de Catanduva no centro de investigação

Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do GAECO, com apoio da Polícia Militar, realizou uma ampla operação para investigar um suposto esquema de corrupção que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos da Câmara Municipal de Catanduva.

As apurações indicam que, entre 2023 e 2024, cerca de R$ 10 milhões podem ter sido desviados do orçamento do Legislativo municipal. Os investigadores, porém, não descartam a possibilidade de que o volume financeiro envolvido seja ainda maior.

Segundo as informações reunidas durante a investigação, o grupo sob suspeita teria criado uma extensa rede de empresas registradas em nome de familiares, amigos e pessoas próximas. Essas estruturas empresariais seriam utilizadas para simular a prestação de serviços ao poder público, permitindo a emissão de documentos fiscais e a movimentação de recursos provenientes de contratos municipais.

Os órgãos responsáveis pela investigação apontam que parte significativa dos valores recebidos retornava posteriormente aos operadores do esquema. Em alguns casos, os repasses teriam alcançado percentuais entre 90% e 95% dos montantes originalmente pagos.

Além da suspeita de desvio de recursos, os investigadores também analisam possíveis irregularidades em processos licitatórios e contratos públicos que teriam sido superfaturados para favorecer integrantes da organização. Há indícios de que parte dos pagamentos efetuados pela Câmara teria sido utilizada para alimentar o esquema por meio de repasses indiretos.

As autoridades também apuram movimentações financeiras realizadas após os desvios investigados, que teriam como finalidade ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro, caracterizando possíveis práticas relacionadas à lavagem de capitais.

A operação mobilizou centenas de agentes e resultou no cumprimento de dezenas de mandados judiciais em diversas cidades paulistas, incluindo Catanduva, São Paulo, Bauru, Jaboticabal e Adamantina. Foram executados mandados de prisão, buscas e apreensões, além do bloqueio patrimonial de investigados.

Por determinação da Justiça, bens e ativos financeiros dos suspeitos foram tornados indisponíveis em valores que podem chegar a R$ 20 milhões, medida adotada para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo.

Também foram recolhidos documentos, equipamentos eletrônicos, veículos e quantias em dinheiro que poderão auxiliar no aprofundamento das investigações. Até o momento, o caso segue em fase de apuração, e os envolvidos permanecem amparados pelo direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório.

Leonardo Borges

MTB 0099692/SP

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